quarta-feira, 26 de março de 2014

"O que uma criança deve saber aos quatro anos de idade?"

 

 
O que uma criança deve saber aos 4 anos de idade? Essa foi a pergunta feita por uma mãe, e...m um fórum de discussão sobre educação de filhos, preocupada em saber se seu filho sabia o suficiente para a sua idade.

Segundo Alicia Bayer, no artigo publicado em um conhecido portal de notícias americano – The Huffington Post –, o que não só a entristeceu, mas também a irritou, foram as respostas, pois ao invés de ajudarem a diminuir a angústia dessa mãe, outras mães indicavam o que seus filhos faziam, numa clara expressão de competição para ver quem tinha o filho que sabia mais coisas com 4 anos. Só algumas poucas indicavam que cada criança possuía um ritmo próprio e que não precisava se preocupar.

Para contrapor às listas indicadas pelas mães (em que constavam itens como: saber o nome dos planetas, escrever o nome e sobrenome, saber contar até 100), Bayer organizou uma lista bem mais interessante para que pais e mães considerem o que uma criança deve saber.

Vejam alguns exemplos abaixo:

- Deve saber que a querem por completo, incondicionalmente e em todos os momentos.

- Deve saber que está segura e deve saber como manter-se a salvo em lugares públicos, com outras pessoas e em distintas situações.

- Deve saber seus direitos e que sua família sempre a apoiará.

- Deve saber rir, fazer-se de boba, ser vilão e utilizar sua imaginação.

- Deve saber que nunca acontecerá nada se pintar o céu de laranja ou desenhar gatos com seis patas.

- Deve saber que o mundo é mágico e ela também.

- Deve saber que é fantástica, inteligente, criativa, compassiva e maravilhosa.

- Deve saber que passar o dia ao ar livre fazendo colares de flores, bolos de barro e casinhas de contos de fadas é tão importante como praticar fonética. Melhor dizendo, muito mais importante.

E ainda acrescenta uma lista que considera mais importante. A lista do que os pais devem saber:

- Que cada criança aprende a andar, falar, ler e fazer cálculos a seu próprio ritmo, e que isso não tem qualquer influência na forma como irá andar, falar, ler ou fazer cálculos posteriormente.

- Que o fator de maior impacto no bom desempenho escolar e boas notas no futuro é que se leia às crianças desde pequenas. Sem tecnologias modernas, nem creches elegantes, nem jogos e computadores chamativos, se não que a mãe ou o pai dediquem um tempo a cada dia ou a cada noite (ou ambos) para sentar-se e ler com ela bons livros.

- Que ser a criança mais inteligente ou a mais estudiosa da turma nunca significou ser a mais feliz. Estamos tão obstinados em garantir a nossos filhos todas as “oportunidades” que o que estamos dando são vidas com múltiplas atividades e cheias de tensão como as nossas. Uma das melhores coisas que podemos oferecer a nossos filhos é uma infância simples e despreocupada.

- Que nossas crianças merecem viver rodeadas de livros, natureza, materiais artísticos e a liberdade para explorá-los. A maioria de nós poderia se desfazer de 90% dos brinquedos de nossos filhos e eles nem sentiriam falta.

- Que nossos filhos necessitam nos ter mais. Vivemos em uma época em que as revistas para pais recomendam que tratemos de dedicar 10 minutos diários a cada filho e prever um sábado ao mês dedicado à família. Que horror! Nossos filhos necessitam do Nintendo, dos computadores, das atividades extraescolares, das aulas de balé, do grupo para jogar futebol muito menos do que necessitam de nós. Necessitam de pais que se sentem para escutar seus relatos do que fizeram durante o dia, de mães que se sentem e façam trabalhos manuais com eles. Necessitam que passeiem com eles nas noites de primavera sem se importar que se ande a 150 metros por hora. Têm direito a ajudar-nos a fazer o jantar mesmo que tardemos o dobro de tempo e tenhamos o dobro de trabalho. Têm o direito de saber que para nós são uma prioridade e que nos encanta verdadeiramente estar com eles.

Então, o que precisa mesmo – de verdade – uma criança de 4 anos?

Muito menos do que pensamos e muito mais!

domingo, 16 de março de 2014

Convite

 
Uma realização do     

                      

O “Núcleo de Reflexões” abre espaço para se pensar o homem em sua inteireza.

Nesta  ocasião, traz  para  esta roda    de conversa,  sob  a  condução  da  
Psicopedagoga Clínica Susi Emerich,  o tema:


“QUANDO A EDUCAÇÃO INFANTIL DÁ CERTO”


“A busca de conhecimento não é preparação para nada,
 e sim VIDA, aqui e agora.” (Madalena Freire)


      Uma oportunidade de se pensar o ser humano em formação para um comprometimento ainda maior com a viabilização de sua saúde integral.


DATA: 04/04/2014

HORÁRIO: 19:00h

LOCAL: CIAH (Rua Prof José Lendro, 89 – Centro – Magé

Tel.: (21) 3630-1720



VOCÊ É NOSSO CONVIDADO!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A Criança Mágica (Grupo de estudo)






Estudo dirigido sobre a criança e seu desenvolvimento 
"...recentemente, o mundo da criança vem desmoronando quase tão rápido quanto o nosso. Não será possível que o que há de errado sejam nossas ideias a respeito da criança e da natureza?"
                                                                        (Joseph Chilton Pearce) 
Público alvo: 

Estudantes e profissionais da área de educação e saúde da criança; pais e demais interessados em aprender sobre o desenvolvimento infantil.

Quando? 
Quinzenalmente, em encontros de 1h e meia, de março a dezembro de 2014.

Quanto?
R$ 20,00 (vinte reais) o encontro.

Onde?
CIAH (Centro Integrado de Atendimento Humano) Rua Professor José Leandro, 89 – Centro – Magé - RJ 

Coordenação:
Susi Motta Valadão Emerich (Pedagoga especializada em Psicopedagogia clínica e institucional).

Inscrições: 

3630-1720 / 9-8653-1789 / sv.emerich@hotmail.com 

Realização:



terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Escola





Desejo para você...
Uma escola livre,
Onde você aprenda
Vivenciando
Criando
Construindo.

Desejo para você...
Uma escola mundo,
Onde você aprenda
A conviver,
Uma escola alegre,
Onde se misturem
Sonhos, sorrisos e esperanças.

Desejo para você...
Uma escola, 
Com um espaço em branco,
Onde os espaços se misturem
E as conquistas sejam mútuas.

                   Nilza A. Costa

sexta-feira, 29 de novembro de 2013


Colônia de Férias: "Férias no Quintal"


"Férias no Quintal" pretende estimular a livre iniciativa das crianças, resgatando brincadeiras tradicionais, realizando jogos cooperativos e proporcionando a elas um encontro com amigos e com a natureza.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013


                                                                                        Pintura: Susi Emerich

Santa Ceia
 
Amo a minha liberdade!
Amo a tua liberdade!
Amo ser livre contigo!
Minha liberdade é tão sagrada quanto a tua,
pois o Ser livre é Ser Sagrado,
pois somente livres somos catedrais do verdadeiro Deus.
 
O que dizer da beleza do encontro dos que sabem que jamais se pertencerão?
O que dizer da beleza dos que não se coisificam entre posses?
É beleza rara e farta!
É uma supernova, que ao morrer dá a Luz.
 
Infinito encontrando infinito,
jamais poderia ser algo mundano,
jamais poderia ser algo limitado.
Infinito mais infinito será sempre infinito!
 
Sonho com o tempo onde homens e mulheres,
não se reunirão no meio da noite,
como ladrões arquitetando um grande roubo!
Sonho com a popularização do encontro!
Pois o encontro é a possibilidade de cura do desHumano,
que assombra cada um de nós!
O encontro é a grande celebração!
É a Santa Ceia de cada instante,

onde carne e sangue são postos a

 
mesa mas não são devorados,
onde morte e vida comem e bebem lada a lado.
 
Leonardo Oliveira
13 de novembro de 2013.

 

sábado, 2 de novembro de 2013

O lugar do inspetor de aluno numa educação para a paz

        



      Para localizarmos o inspetor de aluno na escola e entendermos sua função também educativa, precisamos antes pensar no papel da educação escolar como um todo. Pensar o papel da escola pública nos dias atuais é pensar a educação popular em sua essência e seu objetivo maior. Trata-se de uma educação apontada para a transformação da atual sociedade, comprometida com a emancipação social de uma maioria marginalizada.

    Educador engajado com a educação transformadora, Paulo Freire propõe uma Pedagogia da Autonomia na medida em que sua proposta está "fundada na ética, no respeito à dignidade e à própria autonomia do educando" (FREIRE, 2000a, p. 11).
A autonomia deve ser conquistada, construída a partir das decisões, das vivências, da própria liberdade. Ou seja, embora a autonomia seja um atributo humano essencial, na medida em que está vinculada à ideia de dignidade, precisamos reconhecer que ninguém é espontaneamente autônomo. Autonomia é uma conquista que deve ser realizada. Sem autonomia não há cidadãos, estes que são agentes da transformação social. 
      A educação escolar deve proporcionar contextos formativos que sejam adequados para que os educandos possam se fazer autônomos. Isto quer dizer que não basta educar para a autonomia e cidadania, mas em exercício destas condições.
    Estar comprometido como uma educação transformadora é além de tudo estar comprometido com a implantação de uma cultura de paz. Isto significa trabalhar, em todo âmbito educacional, por uma "ecologia social", de paz com o outro; por uma "ecologia ambiental", de paz com a natureza e por uma "ecologia pessoal", de paz consigo mesmo. Numa educação voltada à construção de um mundo melhor, mais humano, os conteúdos disciplinares são alcançados por este conteúdo que é transdisciplinar. Assim, o que parece clichê, “educar para a construção da cidadania, para um mundo de paz", sintetiza a função da educação.
       Ao desenvolver sua proposta de uma educação para paz, pela qual foi premiado pela UNESCO em 2002, Pierre Weil apresenta como um dos pilares desta ação educacional, o valor da “hospitalidade”, no sentido de receber, acolher o diferente. Somos todos diferentes. Nossas histórias, nossas qualidades, nossos defeitos... A escola bem representa este lugar de diferentes que é nossa sociedade. Sendo assim, não se classifica como espaço privilegiado para a construção de uma cultura de paz? Poderia estar o inspetor de alunos de fora desta pedagógica e sublime ação?
      O currículo não se limita à sala de aula. Numa abordagem holística de educação, o conteúdo escolar, em sua essência, é o aluno; é o professor; somos todos nós! Ainda que em etapas diferentes, estamos todos em formação. Não há ninguém pronto. A educação é permanente, pois não há um lugar específico para ser alcançado, há um caminho, que é constante.
“Onde quer que haja mulheres e homens,
há sempre o que fazer,
há sempre o que ensinar,
há sempre o que aprender”.
(Paulo Freire)

       A escola deve ser o lugar do exercício da paz, da prática da ética, própria do ser do ser que é livre, que é autônomo, que é cidadão. O conteúdo “cidadania” não está restrito à sala de aula, aos saberes da sociologia, filosofia e etc. O currículo escolar salta aos livros didáticos. O modo como o aluno é visto, tratado, considerado... é componente curricular. Sendo o inspetor de aluno presença marcante no cotidiano do educando, é ele também seu educador! Neste sentido, seu papel não é o do que fiscaliza, mas orienta, acompanha...
      O lugar do inspetor de aluno é o lugar daquele que ensina. Ensina com seu tom de voz, sua postura corporal, seu olhar expressivo, sua palavra, sua presença. Ensina o que significa ser adulto, ser livre, ser ético. Ensina o diálogo, a justiça, a coerência, a tolerância, o humor, a amizade... Aliás, vale dizer que, ainda que a escola falhasse em todos os seus intentos, mas conseguisse ensinar a amizade, grande seria o seu feito.
     Eis um grande desafio, o encontro educativo com este aluno no cotidiano de nossas escolas estaduais. Cotidiano de alunos jovens cursando o ensino médio e que vêm representando o que temos como fruto de uma educação, dentro e fora da escola, marcada pela ineficiência, quando se trata de formar o homem integral, agente da paz, apto a construir sua história nesta sociedade, de maneira a transformá-la a partir de sua própria transformação. Muitos nasceram de pais não adultos, portanto, ainda incapazes de educar sem maiores prejuízos. Todos, (sem excessão!), vítimas de um ensino escolar enxovalhado pelo professor mal formado e desvalorizado. E, contra isso, não há política educacional, ou “sistema inovador de ensino” que dê jeito.
     A boa pedagogia é a pedagogia do encontro. De um educador autônomo, livre, criativo com um educando protegido de ser abandonado nas listagens estatísticas, mas considerado vivo, portanto dotado de uma presença significante e merecedora de um trabalho humanizado, embasado no afeto que se traduz na competência profissional, no compromisso político e na missão maior de contribuir à formação de seres humanos. E, partindo do sentido etimológico do termo “educar” (do latim “educere”) que é “caminhar junto”, sigamos nosso caminho lado a lado. Professor, aluno, inspetor, diretor, coordenador, porteiro, cozinheiro... afinal,

"Ninguém educa ninguém,
ninguém educa a si mesmo,
os homens se educam entre si,
mediatizados pelo mundo."
(Paulo Freire)



Susi Emerich

(Texto produzido a partir de palestra  
para evento da Coordenadoria Serrana I – SEEDUC - RJ:
“Acolhimento dos Inspetores de alunos”aprovados no concurso 2013)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

15 de outubro: o que não dá pra não dizer


     
           Uma data honrosa, mas que hoje me desperta sentimentos nada confortáveis. Não dá para romantizar este fazer, que é profissional e com grande relevância social, encarando-o como um sacerdócio, no sentido mais pobre que esta palavra possa ter, próprio daquele que trabalha sem receber dinheiro em troca. Sem medo de afirmar, no entanto, considero sim o magistério uma missão, no sentido da grandeza de quem promove o encontro do educando com a possibilidade de construção de conhecimento, que é libertador. Aliás, vale dizer que qualquer função profissional, quando carregada de humanidade (agora destacando o sentido mais completo do vocábulo, próprio do que é essencialmente divino) se faz merecedora deste status, missão espiritual.
     Como traduzir o sentimento deste 15 de outubro? Mais difícil: como traduzir o sentimento dos professores do meu estado, o Rio de Janeiro? O cenário é a greve e seus reflexos na sociedade, nas autoridades, nos alunos... e nos colegas que não aderiram. Compondo este último grupo, cá estou eu. Passiva, omissa, por estar trabalhando no período de greve? É meu desejo, com esta reflexão, juntar-me ao tanto de vozes que, talvez neste exato momento, se manifestam legitimamente pelo país à fora. Acredito também em minha luta que é própria de quem aprendeu o poder das palavras, o alcance da reflexão.
     Chegamos ao ponto de ver perdida toda marca essencial do ser professor. O desgaste deste profissional chega a histórias alarmantes. Obviamente, por diferentes questões que passam pelo individual de cada um e que quer dizer pelo coletivo de todos nós. Sim, pois não estamos separados. Então precisamos dar conta de cuidar disso tudo. Sim, pois a transformação não virá do governo. 
    Uma farsa a preocupação com a aprovação do aluno demonstrada tão efetivamente pela atual política educacional de nosso estado neste governo. O que está valendo é a "aprovação pela aprovação" e não a "aprovação pela aprendizagem!" Desse modo, as orientações advindas via portarias extraordinárias, como por exemplo a 419/2013, nos levam, se assim o permitirmos, a um fazer robótico com fins em contribuir para estatísticas e percentuais de aprovados no estado, no país. A nota do aluno, o seu direito de recuperá-la... Sim, isto é fácil, recuperar A NOTA, difícil é recuperar o ensino de qualidade. Deste, suas condições e recursos necessários, não podemos falar. 
     A estatística é a preocupação da atual política educacional, a boa formação não! Como atender ao aluno eficazmente se no calendário escolar da SEEDUC, o número de vezes para reuniões pedagógicas no ano de 2013 é igual a zero!? Se para os COCs bimestrais, não se pode contar com um turno de horas inteiro, precisando a escola desenvolver uma reunião de meio período, não obstante ao tempo que se faz necessário a análise do processo de ensino-aprendizagem no referido bimestre, ao diálogo que é fonte das boas ideias, à avaliação, à disseminação do entusiasmo tão necessário ao fazer educativo! Devo afirmar que o tempo passado em reunião de Conselho de Classe na escola é aferido pelos inspetores que se fazem presentes. A ORDEM é não dispensar o aluno e realizar a reunião após ter dado aula, ou seja, em meio período! Hipocrisia! Referindo-se ao resumido tempo destinado ao COC, é fala de uma AGE (agente de acompanhamento da gestão escolar): "Entrem no site da SEEDUC e registrem uma reclamação". Permitindo-me ironizar, "Mais uma tarefa para o professor!" Como se não bastasse o absurdo de se exigir deste profissional o trabalho não remunerado de dar conta do sistema de "aprovação por dependência" com seus desdobramentos. Ora, precisa alguém, por mais fora do universo escolar que se encontre, de maiores argumentos para entender a necessidade de tempo para a efetivação de um bom processo de avaliação e reflexão de todo um bimestre escolar? O que está valendo é o tempo de horas pelo aluno na escola ou o NÃO tempo de horas pelo professor reunido para reflexão? 
     O imperativo é ajudarmos aos alunos que vivem hoje (no terceiro bimestre) o fracasso escolar, para que saiam da zona de risco de reprovação. Como, se o movimento é contrário ao ensino e aprendizagem? 
     Não dá para não pensar nestas questões no dia de hoje! Nem mesmo exigir clareza nas palavras. Com licença da gíria, "é tenso!"   Cuidemos de nós. Este contexto não pode nos destruir. O desafio é resgatar o caráter sublime do ser professor em meio a este caos.           Buscar uma cultura de paz, a começar por cada um de nós.             Parabéns, professor!

                       Susi Emerich